sábado, 5 de abril de 2008

ácrono

Time-1

"Só as palavras não foram castigadas com
a ordem natural das coisas.
As palavras continuam com os seus deslimites"

Manoel Barros

 

os deslimites do sem tempo,

as ideias como as palavras,

infantilmente ácronas,

fogem da ordem /cronogramática/

inventada,

sentem-se e respiram-se como ar de vento,

impossíveis de capturar, sem se saber de onde

ou para onde são.

Talvez os cientistas devessem parar de investigar

o tempo, deixar um polícia interrogá-lo, tentar saber-lhe os antecedentes,

o móbil e as causas. Obrigá-lo e denunciar o equívoco,

entre a matéria e o verbo.

 

 

Constantino Alves

2 comentários:

Anônimo disse...

Fazes um bom jogo de palavras, mas independentemente disso, acho que é sempre de felicitar o impulso de criar.
Considera-te felicitado :)

Tereza disse...

Gostei da sua conversa com Manoel de Barros.

Ele sabe como é poético jogar com as palavras, remexer as palavras, arruinar as palavras, molecar a palavras, as repalavras .

abraços poeta
Tereza