
um dia adiado
e falta tempo cá dentro,
falta mais estrada para o movimento
que giro no meu lamento.
As fotos publicadas são retiradas da Internet e nenhuma delas é da minha autoria. Não tenho qualquer intenção de exploração comercial nem de adulterar a autoria das fotos publicadas. Nunca estas fotos serão publicadas por mim noutro lugar. Tento não utilizar fotos com copywright mas se alguma vez o fizer, peço que me contactem. Parto do princípio da partilha responsável na internet.

é difícil dizer adeus, fazê-lo
pressupõe assumir o facto, deixar que
a ausência faça o tempo, o tempo despedace a nossa existência.
A lage da nossa aparência envaidece-se na flor do gesto, mas o corpo sabe, que um dia há um muro em cinzas como perímetro,
e só se o ultrapassa inventando que os dias são noites, e as noites, todos os dias.

pas de deux, talvez mais.
por entre essa seda dos teus dentes,
beber toda a água pura do dia,
saber a doçura do teu sorriso,
na experiência terna do amor todo.
Sempre a cultura da tentação,
ou desejo progressivo de ter.
Que a posse, é como se sabe também,
a expansão da vontade.
a transformação da luz na palavra
tem um actor,
um símio especificamente fotodesenvolvido
de sangue quente,
que utiliza a experiência do sentimento,
combinada com o conhecimento, opaco, refractário
omnisciente, inconsciente,
Sujeito e predicado,
incorrigível aleatório,
produtor imponderável da palavra .
Constantino Alves
Eis uma lágrima por que não lutei,
Como a poderei ignorar,
não sei traduzir-me em inércia,
era preciso aprender outro coração,
fazer aquela impossível rotina,
do café cruel mecânico horário,
lar doce lar até.
Quem inventou esta multidão de carne cega,
que esconde as mãos em relógios,
decerto não foram as lágrimas...
talvez,
relógios escravos
de nomes intitulados.
Constantino Alves
"Só as palavras não foram castigadas com
a ordem natural das coisas.
As palavras continuam com os seus deslimites"
Manoel Barros
os deslimites do sem tempo,
as ideias como as palavras,
infantilmente ácronas,
fogem da ordem /cronogramática/
inventada,
sentem-se e respiram-se como ar de vento,
impossíveis de capturar, sem se saber de onde
ou para onde são.
Talvez os cientistas devessem parar de investigar
o tempo, deixar um polícia interrogá-lo, tentar saber-lhe os antecedentes,
o móbil e as causas. Obrigá-lo e denunciar o equívoco,
entre a matéria e o verbo.
Constantino Alves
acrofobia= medo mórbido das alturas
Confesso a vertigem,
apesar da vida plana que levo.
É que este andar direito é um voo picado
no fim.
A acrofobia é um nome simpático
para uma sina tão inclemente.
Constantino Alves