quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Além
não há mais ninguém
esse solilóquio de pedra chora
pelo que vem
que não quer saír de mim
de nós
mas é o inevitável além.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Agora
as mil gotas de água que caem na janela
não são lágrimas
são pequenos cristalinos
que observam
a hora da minha manhã
sinto essa lisonja
como companhia
a um sonho seco de solidão.
Afeto
há um braço
que nos acolhe no tempo
que transforma a nossa pedra em carne
no deleite do silêncio
a nossa água ferve
com o hino das palavras cálidas
chegamos ao cume da humana condição.
domingo, 5 de julho de 2009
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Adeus

é difícil dizer adeus, fazê-lo
pressupõe assumir o facto, deixar que
a ausência faça o tempo, o tempo despedace a nossa existência.
A lage da nossa aparência envaidece-se na flor do gesto, mas o corpo sabe, que um dia há um muro em cinzas como perímetro,
e só se o ultrapassa inventando que os dias são noites, e as noites, todos os dias.
adágio

pas de deux, talvez mais.
por entre essa seda dos teus dentes,
beber toda a água pura do dia,
saber a doçura do teu sorriso,
na experiência terna do amor todo.
Sempre a cultura da tentação,
ou desejo progressivo de ter.
Que a posse, é como se sabe também,
a expansão da vontade.
sábado, 19 de abril de 2008
actor
a transformação da luz na palavra
tem um actor,
um símio especificamente fotodesenvolvido
de sangue quente,
que utiliza a experiência do sentimento,
combinada com o conhecimento, opaco, refractário
omnisciente, inconsciente,
Sujeito e predicado,
incorrigível aleatório,
produtor imponderável da palavra .
Constantino Alves



