segunda-feira, 28 de abril de 2008

Adeus

é  difícil dizer adeus, fazê-lo

pressupõe assumir o facto, deixar que

a ausência faça o tempo, o tempo despedace a nossa existência.

A lage da nossa aparência envaidece-se na flor do gesto, mas o corpo sabe, que um dia há um muro em cinzas como perímetro,

e só se o ultrapassa inventando que os dias são noites, e as noites, todos os dias.

adágio

pas de deux, talvez mais.

por entre essa seda dos teus dentes,

beber toda a água pura do dia,

saber a doçura do teu sorriso,

na experiência terna do amor todo.

Sempre a cultura da tentação,

ou desejo progressivo de ter.

Que a posse, é como se sabe também,

a expansão da vontade.

sábado, 19 de abril de 2008

actor

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a transformação da  luz na palavra

tem um actor,

um símio especificamente  fotodesenvolvido

de sangue quente,

que utiliza a experiência do sentimento,

combinada com o conhecimento, opaco, refractário

omnisciente, inconsciente,

Sujeito e predicado,

incorrigível aleatório,

produtor imponderável da palavra .

 

 

 

Constantino Alves

activista

 

 

Eis uma lágrima por que não lutei,

Como a poderei ignorar,

não sei traduzir-me em inércia,

era preciso aprender outro coração,

fazer aquela impossível rotina,

do café cruel mecânico horário,

lar doce lar até.

Quem inventou esta multidão de carne cega,

que esconde as mãos em relógios,

decerto não foram as lágrimas...

talvez,

relógios escravos

de nomes intitulados.

 

 

Constantino Alves

sábado, 5 de abril de 2008

ácrono

Time-1

"Só as palavras não foram castigadas com
a ordem natural das coisas.
As palavras continuam com os seus deslimites"

Manoel Barros

 

os deslimites do sem tempo,

as ideias como as palavras,

infantilmente ácronas,

fogem da ordem /cronogramática/

inventada,

sentem-se e respiram-se como ar de vento,

impossíveis de capturar, sem se saber de onde

ou para onde são.

Talvez os cientistas devessem parar de investigar

o tempo, deixar um polícia interrogá-lo, tentar saber-lhe os antecedentes,

o móbil e as causas. Obrigá-lo e denunciar o equívoco,

entre a matéria e o verbo.

 

 

Constantino Alves